Inspirado no poema "E agora, José?", de Carlos Drummond de Andrade.
Leia em: http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/jose/
É José
E agora, José? O que será de você? Já perdeu tudo e todos, perdeu a vida e o porquê de viver, perdeu o consolo e você. Depois de tantos anos dentro de um mundo só seu; um que só existia bebida e jogo.
Distanciou-se dos amigos, da mulher, dos filhos e só percebeu depois que todos haviam partido e já não lembravam mais de você. E agora, José? Será que é tarde demais? Tarde demais para ir atrás de sua vida? A vida que tinha antes de criar seu mundo e se isolar nele?
Sua mulher ou melhor, ex-mulher, e seus filhos já não eram mais como se lembrava. Eles haviam crescido, casado e com seus próprios filhos. E você? Continuou na mesmice de sempre, se escondendo e culpando a bebida e outras pessoas.
É José, está na hora de acordar e voltar a ser o que nunca deveria ter deixado de ser. Nunca deveria ter deixado de ser José.
(Amanda, 7° ano)
José?
José, um menino nascido de família pobre, pouca comida , vestes de segunda mão. Mas nada o impedia de sonhar pelo que não é concreto. Sonhar não é certo, tem que imaginar. José queria ser poeta. Sempre repetia para a mãe, mas ela, mulher de pouco conhecimento, achava que só rico podia ser poeta. Achava isso besteira.
Todo dia ele acordava, tirava leite da vaca, arrumava a mesa, acordava seus seis irmãos, despedia-se de sua mãe e ia para a escola. Na volta passava na fazenda do vizinho para trabalhar, ajudando assim, a família financeiramente.
Anos se passaram e já tinha deixado seu sonho. Sua mãe faleceu e ele, como irmão mais velho teve que sustentar a família. Quando finalmente, todos os seus irmãos saíram de casa para construírem sua própria vida, José já estava cansado da vida, desgastado. Afundado na amargura, gastava seus centavos em bebida.
Já tinha virado um mendigo, quando um dia sua ex- professora de Português passou, parou, olhou e disse:
- José? É você?
- Sim. Quem é você?
- Sou sua antiga professora!- depois completou:
- José, o que houve? Onde está o menino cheio de sonhos?
- Não dá mais tempo professora! Já sou um homem velho, sem emoção para escrever. - disse ele frustrado.
- Não José!
Depois daquele dia ele percebeu que ainda era possível. Recomeçou a escrever e tornou-se um grande poeta.
(Christal, 7° ano)
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