quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Resenha Crítica- 9º ano

Resenha crítica, produzida pela aluna Ana Júlia (9º ano), sobre a obra de Clarice Lispector. 


UMA ESPERANÇA, DE
CLARICE LISPECTOR

Ana Júlia 

“O mal é que minha esperança ou é
Inexistente ou forte demais –
Esperança forte demais é infantil. ”
 (LISPECTOR, Clarice)

LISPECTOR, Clarice. Uma esperança.  Disponível em: http://claricelispector.blogspot.com.br/2008/07/uma-esperana.html   


                                              
    Uma Esperança é um conto de Clarice Lispector, escritora nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira. É reconhecida como uma das maiores escritoras do século XX. “A Hora da Estrela” foi seu último livro publicado enquanto ainda era viva. Clarice destaca-se pelo seu modo de escrever excêntrico e profundo.
         O conto revela uma simples situação do cotidiano encorpada de sensações e pensamentos, o que é comum nas obras de Clarice. Na aparição de uma esperança, emerge um mar de diferentes visões. Da criança, sempre curiosa, querendo preservar e entender o pequeno inseto. Da mãe, surge uma indagação sobre as diferentes esperanças e suas surpreendentes semelhanças.
       Como a esperança inseto, a outra esperança pousa e por ali fica. A autora cita a todo tempo como essa esperança é secreta e silenciosa, muitas vezes ilusória. A criança aponta as características da esperança relacionando-a indiretamente.

“-Ela é burrinha. Comentou o menino
-Sei disso, respondi um pouco trágica.
-Está agora procurando outro caminho, olhe,
coitada, como ela hesita.
-Sei, é assim mesmo.
-Parece que esperança não tem olhos, mamãe,
é guiada pelas antenas.
-Sei, continuei mais infeliz ainda”
(LISPECTOR, Clarice.)

       A esperança, a outra, também não possui olhos. É guiada por impulsos e sentimentos incontroláveis. É guiada pelo que ouve. Às vezes, também não é muito inteligente. Mesmo após tentativas fracassadas, ela continua ali, persistindo.
      Também pode ser cega, surda e muda. Insiste e continua mesmo quando ninguém mais acredita. É estranha e faz criar sonhos. É mágica, quase não se repara a sua presença. Silenciosa e repentina. Aparece do nada! Ora, toca e não se faz percebida. Quando nota-se sua existência, nada se fez, nada se faz. Deixe a esperança ali, parada, coitada, agindo de corpo e alma.
      Durante a observação da curiosa esperança, surge uma aranha motivada a acabar com ela. Rapidamente as crianças surgem com vassoura para matá-la. Aranha que desce na sua teia invisível se aproximando cada vez mais da esperança.
    Teia que vem se juntando há tempos, escondida, atrás do quadro esperando por sua chance de capturar e destruir a esperança alheia. Porém morta a aranha, a esperança pôde se instaurar e pousar na casa. “Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo. ” (LISPECTOR, Clarice.)
    Clarice Lispector mostra no conto como uma simples passagem de uma esperança pode fazer toda uma história filosófica se desenrolar na cabeça da autora. Não obstante de outras obras suas, Clarice enfoca a subjetividade humana. Desde pequena já tinha essa essência; quando mandava, com sete anos, contos para o jornal que nunca foram publicados, por não relatarem um acontecimento.
     “Como podemos notar neste depoimento,
Já desde tenra idade Clarice revelava um
traço insistente que se tornaria marca
essencial de sua produção literária.
Realmente, em lugar de um texto
que narre fatos e acontecimentos,
ela preferirá sempre escutar
as ressonâncias dos fatos
 na consciência do indivíduo. ”
(Trecho retirado do artigo “Considerações a respeito do existencialismo na obra de Clarice Lispector.)

           Em suma, as obras de Clarice Lispector trazem ao leitor uma nova perspectiva de coisas aparentemente insignificantes da vida. Desde um sagui, passando por um empréstimo de um livro, até uma simples esperança. E é por essa identidade única, que Clarice Lispector foi e continua sendo uma das maiores e mais importantes escritoras que o mundo teve o prazer de conhecer.

Referências bibliográficas

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